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Construindo um Kaboose
Edmar Mammini
 
O Kaboose
 
Detalhe - Logotipo da Estrada de Ferro Sorocabana
 
 
Kaboose - Detalhe teto
 
 
Kaboose - Detalhe Lateral Esquerdo
 
 
 Kaboose - Detalhe Lateral Direito
 
Para quem não sabe o que é um “Kaboose” aqui vai a explicação: As ferrovias Norte Americanas desenvolveram esse tipo de vagão devido ao tipo de traçado de suas linhas, suas imensas distâncias entre estações, ataques de índios e bandidos, dos meados até o final do século XIX e ainda para comodidade da tripulação dos trens que já naquela época alcançavam níveis de desempenho e comodidade nunca alcançados em nosso país.

O Kaboose era e ainda é um vagão que serve de observatório da composição onde está atrelado, normalmente é o último dos vagões embora nem sempre. É um vagão dormitório, banheiro, refeitório, escritório, tem um pequeno fogão que serve para o aquecimento do próprio vagão e ainda para se preparar comida. Ele tem características típicas na construção, a mais marcante é uma varanda com 8 janelas, duas voltadas para a frente duas para traz e quatro para os lados dando dessa forma uma visão ímpar a quem estiver nessa varanda.

Ela se sobressai do teto e atingindo o ponto mais alto da composição, as vezes mais alto do que a chaminé da locomotiva, passa raspando nos túneis . O desenho mais antigo localizado por mim data de 1873 e era da construtora de vagões “ Kimball Manufacturing Company” e o desenho sobre o qual fiz minha opção foi o da “ Virginia & Truckee “ e data de 1913. Os dois se assemelham, aliás todos os kabooses da época se assemelham. São Vagões graciosos e muito usados em desenhos animados de trens da época, o famoso “ Pica-Pau”  (Woodypecker) sempre aparecia embarcado em um vagãozinho desse tipo.

No Brasil eles foram muito pouco usados, de formas que são raras as pessoas que se lembram de terem vistos Kabooses em nosso pais, porém eles existiram e muitos foram transformados em carros oficina e andavam sempre junto a guindastes e que na época eram tocados a vapor e queimavam lenha. Eu particularmente conheci um  que foi da Estrada de Ferro Sorocabana, foi transformado em oficina e ficou quase um ano fazendo trabalhos de resgate e reconstrução de uma ponte sobre o Rio Itanhaém em 1946.

 O vagão que resolvi fazer foi baseado nesse, porém antes de ser adaptado a oficina, os planos mais parecidos são da “ Virginia & Truckee” , está na escala de 1: 11,25 que dá certo para que uma bitola de 3 ½  polegadas (88,9 mm) dê certo em um trem de bitola métrica. Os vagões e locomotivas tipo “ Live Steam” que existem no Brasil estão todos nessa escala, e os meus não fogem a regra.
 O Vagão foi todo construído em madeira assim como o original, a madeira usada no modelo foi Peroba com mais de 30 anos de envelhecimento. Ao que parece, o original era feito em Faia e Carvalho, porém não posso garantir isso.

Assim como o original, o modelo foi feito com ripinhas (tábuas no original), no modelo elas têm uma largura da ordem de 7 mm . Toda a armadura ou chassis, como queiram, também foi feita em peroba .O piso foi feito em pinho tipo Araucária, os caixilhos e passadiços em peroba Rosa, o teto foi feito de compensado de 2 mm de mogno e recoberto com verniz e pó abrasivo, imitando dessa forma o teto do real que era de asfalto com pedrisco.Os engates, truques e demais ferragens foram todos feitas de latão e posteriormente oxidadas dando uma cor grafite metálico. As rodas e eixos são de aço 1010, os mancais são em bronze fundido pelo Arnaldo Bottan.

O interior do vagão também está construído conforme desenho do original americano. As portas tem dobradiças, fechaduras, as janelas estão com vidros e tem caixilhos e molduras. Os vidros no modelo é de acrílico de 1 mm de espessura.
A parte mais difícil de construir sem dúvida foram os truques, eles são do tipo para  carros de passageiros dos anos 10 e 20 do século XX. E eram feitos em barras de aço forjadas e madeira muito dura, possivelmente carvalho de boa estirpe. Possuem suspensão dupla com molas de lâminas entre o suporte do vagão e o truque e molas em espiral nas barras de compensação dos eixo de rodas.

 Os truques possuem sistema de freio com sapatas e operam se for necessário, toda a timoneria  foi copiada de um carro de passageiro antigo que está estacionado na estação “ Carlos Gomes” que pertence a “ABPF” e que é similar ao que possuía o original da época; operava a vácuo, não era usado o sistema com ar comprimido tipo “Westinghause”.O modelo é envernizado com verniz transparente, deixando a peroba com seu bege alaranjado como cor preferencial, o vagão original também era envernizado quando novo. Possui na sua lateral o emblema da EFS e o número 1 . Pela foto se tem uma idéia de como ele é e o que era o original em
1913.
 

 
 
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